segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Visita ao EVOA: uma tarde muito bem passada e a repetir

O Centro de Interpretação do EVOA. O janelão da cafetaria tem uma vista espectacular. O edifício faz lembrar uma palafita. No topo do edifício, à direita, vê-se uma caixa ninho ocupada por corujas-das-torres!

Fui, finalmente, conhecer o EVOA-Espaço de Visitação e Observação de Aves. Saí com duas certezas: pena de não ter ido há mais tempo e vontade de regressar!



Localizado às portas de Lisboa, este projecto ambicioso nasce da vontade de valorizar um conhecido local de observação de aves na Reserva Natural do Estuário do Tejo, a Ponta da Erva, propriedade da Companhia das Lezírias. É um exemplo que se quer ver mais vezes de colaboração entre várias entidades para a concretização de um projecto de elevada qualidade.

O que mais me impressiona é a ambição no conceito e a sua excelente execução. É um projecto pensado de raíz que implicou a criação de 3 novas lagoas para servirem de habitat às aves. As lagoas foram desenhadas para permitir a observação de aves a partir de vários refúgios e pontos de vista, para além de criarem condições físicas variadas, de forma a aumentar a diversidade de aves que as usam.


A chegada - o Centro de Interpretação

A vista da cafetaria. Foto daqui.
O edifício onde está sedeado o Centro de Interpretação é muito bonito. Todo revestido a madeira, quando visto do exterior, faz lembrar uma palafita, um tipo de construção muito adequado a este habitat em terras húmidas e alagadiças do Tejo.

O Centro de Interpretação está muito bem equipado para receber os visitantes, com a exposição permanente, pequena loja, biblioteca, e outras instalações, mas quero começar por referir a parte que usufruímos em primeiro, ou não tivessemos chegado por volta das 14h ainda por almoçar.

Fomos acolhidos numa cafetaria que nos permitiu comer e ficar satisfeitos, a preços que me surprenderam pela razoabilidade, com uma vista fenomenal. Íamos com algum receio por ainda não conhecermos, mas comemos uma sopa de peixe maravilhosa e escolhemos entre as tostas e saladas para complementar a sopa. Os sumos naturais também foram uma agradável surpresa - um ananás deu para apenas 3 sumos! Sem pretensões, almoçámos com qualidade, com uma vista espectacular sobre a paisagem, servidos por pessoal muito simpático e acolhedor. Iremos voltar para revisitar as lagoas mas também para almoçar ou lanchar de vez em quando.





A visita guiada

Seguimos então para as visitas guiadas, incluídas no custo de entrada. Fizemos primeiro a visita guiada à exposição permanente e seguimos de imediato para a visita guiada às lagoas, equipados com binóculos emprestados pelo EVOA e com um pequeno guia de identificação de aves que fez toda a diferença e que está também incluído no preço de entrada. Uma vez equipados com os binóculos e guia de identificação, saímos acompanhados pelo nosso guia.

Mapa do EVOA, para planear a sua visita. Estas lagoas não existiam e foram criadas de raiz para o usufruto de aves e pessoas. Um projecto ambicioso!

Visitámos a Lagoa Principal e a Lagoa Rasa, ficando a Lagoa Grande para ser explorada noutro dia. Nesta visita guiada vimos 20 espécies diferentes de aves, incluindo flamingos, colhereiros, pernilongos, galeirões, combatentes, milherangos, narcejas e andorinhas-das-barreiras - para nomear algumas! - e sempre com a ajuda e interpretação por parte do guia, o Luís Avelar, que para além do seu conhecimento e entusiamo foi equipado com um excelente telescópio para permitir uma melhor observação das espécies.

O guia da visita foca o telescópio em mais uma espécie de ave para o grupo observar. Com ampliações poderosas e estabilizado pelo tripé, o telescópio levado pelo guia enriquece muito a visita.

Os flamingos são uma das observações mais desejadas, pelo tamanho, beleza e associação a zonas mais tropicais e tivemos a sorte de ver um bando de flamingos a alimentar-se na Lagoa Rasa. Pessoalmente, gosto muito de ver colhereiros e não saí desiludido, tendo visto indivíduos em repouso e a alimentar-se. Os mergulhões-pequenos abundavam também e apesar do pequeno tamanho são aves muito dinâmicas e engraçadas.

Um bando de flamingos na Lagoa Rasa. Estavam incrivelmente próximos de nós, escondidos no observatório. Os tons rosa das suas penas variavam entre os indivíduos, de rosa pálido a rosa forte.


Devo salientar que não sou de todo especialista em aves mas saí de barriga cheia, num dia que não deverá ter sido particularmente bom para a observação de aves, por ser final de Verão e ainda não ter começado a migração em força. Mas fiquei deslumbrado e satisfeito com as que vi e com vontade de regressar e esse é um dos grandes trunfos do EVOA, há sempre aves em número e diversidade e o ciclo anual de estações está sempre a alterar a composição da comunidade de aves, e todas as visitas serão visitas diferentes.

No final da visita guiada regressámos ao Centro de Interpretação onde, do janelão da cafetaria, pudemos observar as cores do final de tarde na Lezíria, enquanto reabastecíamos com bolo de maracujá caseiro.

Sobre o preço de admissão

O preço da entrada para >12 anos é de 12€. Confesso que o preço foi uma das razões que me levou a atrasar a primeira visita ao EVOA. É uma quantia que já inspira algum respeito e que muitos consideram, à primeira vista, excessiva. No entanto queria partilhar aqui a minha opinião após visitar.

Começo por dizer que não era claro para mim que este custo incluía a visita guiada. A visita guiada é essencial para se usufruir do EVOA, pelo menos na primeira visita. Quem não esteja habituado a observar aves não conseguirá tirar proveito da biodiversidade à disposição e sairá certamente desapontado. A visita guiada é uma enorme mais valia e faz toda a diferença, também na percepção do custo da visita. Após ter participado na visita guiada com um total de cerca de 3 horas (45 minutos à exposição permanente e um pouco mais de duas horas às lagoas) considero o preço muito adequado. A pessoa pode ainda  usufruir do EVOA antes e/ou depois de participar na visita guiada.

A visita às lagoas implica uma agradável caminhada pela Lezíria, com as aves e o vento como ruído de fundo, o que só é possível por se limitar o número de visitantes diários, o que tem um custo.


Por outro lado, seria impossível tirar proveito do EVOA com centenas de pessoas a visitar ao mesmo tempo. O ruído e movimento afastariam as aves, empobrecendo a visita. Desta forma, é necessário limitar o acesso ao espaço, para que quem visita usufrue, mas isso implica menos entradas, menos rendimento e, necessariamente, um aumento do custo de admissão.

Finalmente, após visitar, fiquei também a conhecer melhor a génese e execução do projecto assim como as condições de recepção, acolhimento e visita às lagoas. E tudo isto, com a qualidade que tive o prazer de usufruir, tem um custo. Ainda não estamos muito habituados a pagar por estas coisas em Portugal. Mas projectos de qualidade têm custos de manutenção e se queremos que o EVOA sobreviva e seja sustentável então temos que estar preparados para pagar aquilo que eles custam. Temos que nos desabituar de ser tudo gratuito.

Eu saí convencido da minha visita que paguei um preço mais que justo pelo que desfrutei. E fiquei com vontade de regressar. O preço, quando não se conhece, pode parecer excessivo. Mas é minha opinião que vale bem a pena.

Observatório da Lagoa Principal. Do interior dos observatórios a vista sobre as aves é excelente.

A Loja de História Natural e o EVOA

Durante a concretização do projecto do EVOA, a Loja de História Natural foi chamada a colaborar com a venda dos livros que constituiram a biblioteca inicial do Centro de Interpretação. Foi um pedido de colaboração que me marcou por me permitir contribuir para um projecto de valor, um dos papeis que ambicionava para a loja: ser um parceiro privado na persecussão de objectivos individuais e institucionais de conservação da natureza.

Este contacto partiu da iniciativa da LPN-Liga para a Protecção da Natureza que reconheceu na loja as habilitações para ajudar nesta matéria, algo que eu gostaria que tivesse acontecido mais vezes com outras organizações. Fiquei feliz por ter podido agradecer ontem mais uma vez à Sandra Paiva, actual colaboradora do EVOA e na altura um dos elementos da equipa técnica da LPN responsável pela execução do projecto do EVOA. Foi uma surpresa agradável encontrá-la. Fiquei também muito feliz por ter tido o Luís Avelar como guia. Foi um querido apoiante da loja e do nosso trabalho.

Como sócio da LPN há 20 anos e responsável pela Loja de História Natural, ontem senti-me um pouco em casa no EVOA, uma sensação que não esperava mas que me soube bem. Muito obrigado pela forma como nos receberam e recebem todos os visitantes e pelo excelente trabalho que fazem. Desejo o maior sucesso.

O final da Visita

Após uma última visita à cafetaria seguimos viagem, tendo ainda os 11 kms de terra batida para regressar à estrada nacional pela frente. Entre aves, arrozais, gado bovino e um bonito pôr-do-sol, despedimo-nos do EVOA e finalizámos uma tarde surpreendentemente agradável.

Vão visitar o EVOA, apoiem, divulguem e usufruam do nosso património natural.

A localização do EVOA, às portas de Lisboa, no estuário do Tejo. Ver no Google Maps aqui.


quinta-feira, 8 de setembro de 2016

6 de Setembro de 2016 dia mais quente do ano


E quando pensávamos que seria difícil bater as temperaturas extremamente altas do primeiro final de semana de Agosto de 2016 somos surpreendidos pelo início de Setembro de 2016 que guardava uma surpresa.

O IPMA publicou uma análise do tempo neste início de Setembro de 2016 aqui.


Como se pode ver no gráfico, o dia 6 de Setembro de 2016 foi o mais quente do ano na média nacional das temperaturas mínimas (19,76ºC), média (29,19ºC) e máxima (38,62ºC).

O IPMA confirma ainda que este tempo é extremamente anormal para Setembro:
Nos dias 5 e 6 de setembro foram ultrapassados os anteriores maiores valores da temperatura máxima para o mês de setembro em 73% das estações (total de 82 estações): 17% no dia 5 e 56% no dia 6. De destacar que em 24% das estações foram ultrapassados no dia 6 os maiores valores de temperatura máxima registados no dia 5.

De referir também os valores muito altos da temperatura mínima, que ultrapassaram os maiores valores anteriormente observados nas estações de Vila Real, Guarda, Castelo Branco, Lisboa, Évora, Beja e Vila Real de Santo António.
Ou seja, recordes de temperatura máxima batidos em 73% do território, algo absolutamente anormal. Recordes de temperatura mínima também batidos de Vila Real de Santo António no Algarve a Vila Real em Trás-os-Montes.

Entretanto, desde que escrevi os últimas mensagens , tomei conhecimento de um novo relatório da IUCN-International Union for the Conservation of Nature que explora o que se passa nos oceanos a nível do aquecimento global. Os oceanos cobrem 70% da superfície do Planeta Terra e até agora absorveram 90% do aquecimento extra gerado por nós, humanos.

Eu não li o relatório, estou a interpretá-lo a partir de um artigo do jornal The Guardian. Segundo este artigo, o relatório explica como as temperaturas do oceano são as mais altas desde que há registos, por larga margem, e se corre o perigo de se iniciar o descongelamento de reservas enormes de gás metano congelado no fundo oceânico. O gás metano é muito mais potente que o dióxido de carbono nas suas capacidades de efeito de estufa.


Ou seja. Estamos ainda nos preliminares do aquecimento global. Dias extremos como os que vivemos repetidamente este Verão serão no futuro próximo ultrapassados por dias muito mais extremos, inimagináveis para nós neste momento. Não me parece que estejamos a ver bem o quadro...

sábado, 3 de setembro de 2016

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Aquecimento Global: o Resumo Climatológico do IPMA para a 1ª quinzena de Agosto de 2016 é de leitura obrigatória

O IPMA-Instituto Português do Mar e da Atmosfera publicou o Resumo Climatológico para a 1ª quinzena de Agosto de 2016 e o mesmo é de leitura obrigatória para começarmos a interiorizar o impacto do aquecimento global. O seguinte gráfico foi retirado do Resumo Climatológico do IPMA.



De salientar um desvio de 2,9ºC acima do valor médio mensal na temperatura média do ar, sendo o desvio de uns extraordinários 4,5ºC se nos concentrarmos na média da temperatura máxima. O resumo destaca "os dias 6, 7 e 8 em que foram registados valores >43ºC em algumas regiões e a média do país ter ultrapassado os 38ºC nos dias 7 e 8 (dias mais quentes do ano)". Cairam vários recordes de temperatura máxima e houve várias noites tropicais. Numa delas a temperatura mínima de Lisboa foi de 27,9ºC... O documento pode ser lido na totalidade (em pdf) aqui.

Na Cimeira de Paris acordou-se lutar para não deixar a Terra aquecer mais de 1,5ºC. Mas a sequência de 10 meses seguidos, de Outubro 2015 a Julho 2016, em que se bateram os recordes de temperatura média mensal por pouco abaixo ou mesmo acima de 1ºC não deixa muita esperança a que se consiga alcançar esse objectivo (gráfico retirado da página da NASA aqui).

 
Os 10 anos mais quentes desde há 134 anos, quando iniciaram os registos, ocorreram todos desde 1998. O ano passado, 2015, foi o mais quente de sempre. Este ano está a bater 2015 com larga margem e será o novo ano mais quente de sempre.

Ao mesmo tempo, a extensão e volume de gelo do Oceano Ártico atingem valores mínimos. A diminuição do volume é particularmente preocupante pois indica que grande parte da área que ainda existe no Verão está cada vez mais fina e em breve colapsará..



A diminuição do gelo ártico tem um efeito de retorno positivo no aquecimento global, acelarando-o, visto o gelo reflectir a luz enquanto o oceano livre a absorve. O aquecimento do oceano ártico permite ainda a libertação de gases como o metano do solo oceânico, reforçando ainda mais o efeito de estufa. O gráfico seguinte, retirado daqui, mostra o efeito de amplificação do aquecimento global no Ártico. Quanto mais acentuado o vermelho, maior o desvio positivo da temperatura nessa região face à média.


O Aquecimento Global é já uma realidade, e parece querer instalar-se a uma velocidade muito mais acelerada do que se previa. As consequências serão inimagináveis. E no entanto a inacção domina.

Por isso escrevo que o Resumo Climatológico para Portugal da 1ª quinzena de Agosto 2016 é de leitura obrigatória. No dia 7 de Agosto de 2016, em Lousã (44,6C), Tomar (44,7C) e Mora (44,8C) a temperatura máxima aproximou-se dos 45ºC, num dia em que a média da temperatura máxima ultrapassou 38ºC... Brincamos com o fogo, literalmente.

domingo, 21 de agosto de 2016

A publicidade enganosa à Reserva da Faia Brava - a Faia Brava não é a primeira área protegida privada de Portugal

Na página da ATN-Associação Transumância e Natureza dedicada à Reserva da Faia Brava pode ler-se o seguinte:

«Em 2010 a Reserva da Faia Brava foi classificada pelo Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) como a primeira Área Protegida Privada do país (...)».

Já na página do ICNF-Instituto da Conservação da Natureza e Florestas pode-se ler o seguinte:

«Em 2010, parte da área foi classificada como a primeira Área Protegida Privada (APP) de Portugal (...)».

Se é verdade que a Reserva da Faia Brava foi a primeira a solicitar e obter o reconhecimento pelo então ICNB como área protegida privada já não o é que seja a primeira área protegida privada do país. São coisas muito diferentes.

O mito de que a Faia Brava é a primeira área protegida privada de Portugal tem sido repetido sem ser questionado, e voltou a ser o caso hoje num artigo publicado na Wilder. Esta frase contitui para mim publicidade enganosa que deveria envergonhar a ATN, e não é o sustento que obtém pelo ICNF nesta afirmação que a torna menos errónea. Por há vários anos me sentir indignado com o que ali está escrito, resolvi, desta vez, apresentar aqui as minhas razões para esta indignação para que possam ajuizar do seu valor.
 
Sejamos claros: a Faia Brava não é a primeira área protegida privada do país. Muito antes da ATN existir já associações como a Quercus e a LPN-Liga para a Protecção da Natureza, por exemplo, com os seus projectos no Tejo-Internacional e Castro-Verde, possuiam áreas protegidas privadas geridas exclusivamente para a conservação da natureza e deveria envergonhar a ATN querer por-se em bicos de pé e tentar apagar o trabalho destas outras organizações. A área protegida privada da LPN em Castro Verde, por exemplo, teve início em 1993. A área protegida privada do Monte Barata da Quercus teve a sua génese ainda anteriormente, no final da década de 1980 e o trabalho ali desenvolvido viria a contribuir significativamente para a classificação do Parque Natural do Tejo Internacional em 2000. Tudo isto entre 15 a 20 anos antes da Faia-Brava ser a "primeira".

Então o que é aconteceu? Em 2008 foi criada legislação, operacionalizada em 2009, que permite pedir o reconhecimento estatal de áreas protegidas privadas. Mas esse reconhecimento não cria o conceito de áreas protegidas privadas, é por elas já existirem que se avança com legislação para as reconhecer, nem sequer trás qualquer alteração à gestão das áreas em causa. Apesar de o ICNF tentar tomar posse da sua designação em português, o conceito por dets da expressão "área protegida privada" não é posse do ICNF nem do Estado. 

A legislação referida permite desde 2009 a designação e reconhecimento oficial destas áreas protegidas privadas. O que a ATN e o ICNF deveriam escrever é que a Faia Brava foi a primeira a ser reconhecida e designada como tal pelo Estado, o que a legislação de facto prevê, mas isso não serve para publicidade tão marcante como o mito que tentam criar. Em termos publicitários, que é que está aqui em causa, é muito mais poderoso escrever «(...) a primeira Área Protegida Privada do país (...)».

O IUCN-International Union for the Conservation of Nature, instituição internacional de que o ICNF é membro, define uma área protegida privada - private protected area - como uma área de qualquer tamanho que é gerida para a conservação da biodiversidade, protegida com ou sem reconhecimento governamental e é propriedade de indivíduos, comunidades, corporações ou organizações não governamentais. Numa clara manipulação do termo, e à revelia da sua definição pela mais credenciada instituição internacional de conservação da natureza que o próprio ICNF integra, o ICNF e a ATN estão a defender que apenas as áreas protegidas privadas reconhecidas pelo Estado são dignas do nome. Mas como já escrevi, a designação e conceito por detrás de "área protegida privada" não são posse nem do ICNF nem do Estado.

É verdade que a ATN se pode escudar nos termos que o então ICNB, agora ICNF, usou e usa para se referir à Reserva da Faia Brava. Inicialmente, o Aviso 26026/2010 de 14 de Dezembro do Diário da República - 2ª Série, n.º 240 é muito sucinto e claro ao escrever que "(...) torna-se público que foi reconhecida a área protegida privada cuja área e entidade gestora constam do despacho de reconhecimento (...)". Trata-se, claramente, do reconhecimento de algo que já existe e não se usa "área protegida privada" em maiúsculas nem o termo 'primeira'.

Mas já o despacho de reconhecimento anexo ao Aviso 26026/2010 é muito mais profíquo em considerandos. Nele se alterna o uso da expressão área protegida privada entre minúsculas e maiúsculas, referindo-se a uma tipologia APP-Área Protegida Privada que a legislação não refere mas que o ICNF criou. Escreve-se ainda a seguinte frase, claramente de índole não técnico mas um mero considerando político e propagandista de um ICNB há anos esvaziado de capacidade de intervenção no terreno e a tentar mostrar trabalho: "A designação desta área protegida assume particular importância por se tratar da primeira área protegida privada (...)" (itálico e sublinhado meus, minúsculas originais). Trata-se de uma frase que ignora o significado de área protegida privada, acima transcrito, para tentar reduzi-lo às áreas que são reconhecidas oficialmente pelo ICNF.

A ATN poderá usar o argumento que se o ICNF o escreve no despacho de reconhecimento e mantém no seu sítio na internet então tem toda a legitimidade para usar esta afirmação. Mas este seria um argumento cínico e ao mesmo tempo revelaria desconhecimento de termos técnicos internacionais, o que nada abonaria a favor da mestria técnica da ATN. A verdade é que ICNF excedeu-se e excede-se ao descrever a Faia Brava como a primeira área protegida privada, numa atitude típica do Estado de que só o que quer ver, em especial quem lhe paga taxas e de algum modo se submete à sua supervisão.

Fui uma das pessoas que brindou esta legislação e num texto online de 2009, anterior ao 'nascimento' da Faia Brava em 2010, que podem ver aqui já enumerava vários projectos de áreas protegidas privadas, que já existiam, que já o eram, e que poderiam pedir o estatudo oficial se assim desejassem. Nessa lista incluí os projectos da LPN, da Quercus e da ATN, a Faia Brava precisamente. Até ao presente, tanto quanto sei, apenas a ATN pediu e obteve esse reconhecimento oficial para a sua área designada como Faia Brava, talvez por precisamente se tratar de um pro-forma que nada muda no terreno nem no dia a dia das organizações que gerem essas áreas protegidas privadas. A Faia Brava recebeu por isso o número 1 nos registos estatais, mas isso não a tornou a primeira, assim como o cidadão português com o número 1 no Bilhete de Identidade não é o primeiro português, nem os bebés nascem no dia em que obtêm o seu cartão de cidadão, nem o automóvel com a matrícula AA-00 00 foi o primeiro automóvel do país. Não é o Estado que cria a realidade, como o ICNF e a ATN parecem desejar.

Após o reconhecimento dos 214 ha da Reserva da Faia Brava, as herdades da LPN em Castro Verde - com 1812 ha, um dos projectos de áreas protegidas privadas que antecedem a Faia-Brava temporalmente e em tamanho - não deixaram de ser uma área protegida privada apenas porque não pediram o reconhecimento oficial, nem o Monte Barata da Quercus - com 600 ha - outra área protegida privada anterior à Faia Brava deixou de o ser. E o mesmo com todas as outras área protegidas privadas pré-existentes.

A própria Reserva da Faia-Brava, com 650 ha, apenas tem 214 ha reconhecidos como reserva protegida privada pelo ICNF no presente. Significa que os restantes não o são? E se o reconhecimento estatal é supremo, de acordo com a publicidade da ATN, será legítimo a ATN usar a designação oficial de Faia Brava, 'dada' pelo Estado a 214 ha para os 436 ha que ainda não obtiveram o reconhecimento oficial? Parece-me, a crer na sua própria publicidade, que é abusivo usarem o nome oficial de uma área protegida privada para terrenos que não a incorporam ainda oficialmente, já que a ATN parece querer fazer crer que apenas o que é reconhecido pelo Estado existe de facto. E as restantes propriedades da ATN geridas para a conservação da natureza são o quê se não áreas protegidas privadas?

Fico também curioso para saber qual a data de fundação da área protegida privada da Faia Brava, após o reconhecimento oficial em 2010 ou 2000 quando o projecto se iniciou? É que eu devia ser muito presciente quando em 2009 já escrevia que existia uma área protegida privada chamada Reserva da Faia Brava, antes de a mesma se vir a tornar na « (...) primeira Área Protegida Privada do país (...)», de acordo com a página da ATN e do ICNF. É curioso que a legislação nunca usa a expressão "Área Protegida Privada" em letras capitais como a ATN faz precisamente porque não é uma marca registada nem um nome exclusivo, apesar de aqui estar claramente a seguir a liderança do ICNF.

A ATN tem uma máquina de marketing eficaz e ainda bem. Mas ao reclamar ser a primeira área protegida privada está não só a faltar à verdade, está a fazer tábua rasa do trabalho de décadas de outras organizações da natureza cujos projectos se anteciparam à ATN e à Faia Brava e cujo trabalho pioneiro permitiu a própria existência da ATN e está também a denegrir o seu próprio trabalho. É uma tentativa de engrandecimento que o projecto da Faia Brava, pelo seu valor, não necessitava. Tudo isto, como já escrevi, para se pôr em bicos de pés, como se tivesse sido a primeira ONG a comprar e gerir áreas para a conservação da natureza.

Considero, por estas razões, muito cínica e enganosa a afirmação que a Faia Brava é a primeira área protegida privada de Portugal. Para essa afirmação ser verdadeira teríamos que entender que em Portugal não existem outras áreas protegidas privadas simplesmente porque não foram ainda reconhecidas pelo ICNF, o que não corresponde à verdade. A afirmação é enganosa porque induz as pessoas em erro, obtendo para a Faia Brava um estatuto de senioridade no país que não é baseado na verdade dos factos, apenas num processo administrativo. A Reserva da Faia Brava foi pioneira em obter o reconhecimento estatal, tão simples e só.

Sejamos, por isso, claros, como o ICNF e a ATN deveriam ser: a Faia Brava foi a primeira área protegida privada a pedir e obter o RECONHECIMENTO oficial. Tudo o resto é uma manobra de marketing cuja falta de soliedariedade institucional para com as outras ONGAs deveria envergonhar a ATN. Usem como publicidade a data em que compraram o primeiro terreno da Faia Brava para a sua criação, 2000. Seria muito mais solidário, ganhavam 10 anos de antiguidade em relação à data do reconhecimento e não estavam a enganar ninguém.

Esta atitude de se vangloriar da ATN dura desde que saiu o reconhecimento oficial para a Faia Brava. Têm razões de sobra para se orgulharem do seu trabalho para necessitarem de recorrer a esta estratégia. A insistência da ATN nesta publicidade enganosa levou a que a Loja de História Natural, que era sócia da ATN via a empresa detentora da marca, tivesse pedido, por minha iniciativa, a demissão de sócio da associação. As razões para tal foram expressas directamente à ATN que no entanto não modificou a sua afirmação. Pessoalmente e profissionalmente, não poderei voltar a apoiar a ATN enquanto perdurar esta sua atitude egoísta e enganadora que infelizmente, até ao presente, recusam corrigir. Gostaria de ver a ATN abandonar esta publicidade enganosa e pequenina.

Como fico indignado sempre que vejo o mito criado pelo ICNF e pela ATN reproduzido publicamente, como vi hoje no tal artigo publicado na Wilder, resolvi finalmente expor as minhas razões. Contactei a Wilder para repor o que considero ser a verdade dos factos e para que não reproduza publicidade enganosa e enviei cópia para a ATN para que saibam que quem anda no mundo da conservação da natureza em Portugal há muitos anos sabe que a Faia Brava não foi a primeira área protegida privada em Portugal. A Faia Brava é a primeira área protegida privada a pedir e obter o reconhecimento estatal. São coisas diferentes.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

O Fim da Linha do Tua: entre zêlhas, cornalheiras e oxicedros, uma despedida a um rio (ainda) selvagem

O rio Tua (ainda selvagem) e seu vale, num trecho que ficará submerso acima do local onde foi tirada a foto.

"Longe da vista, longe do coração", diz um ditado português. Durante anos evitei pensar na morte anunciada do rio Tua enquanto rio selvagem e na submersão dos primeiros 20 quilómetros da linha ferroviária de montanha que percorriam o vale, a Linha do Tua. Não tinha tido o prazer de fazer o percurso de comboio e nunca tinha visitado o rio. Fui seguindo as notícias com algum distanciamento, dando o meu contributo cívico para tentar evitar o destino que se adivinhava, mas sempre à distância.

Este meu 'estoicismo' no entanto não resistiu ao anunciado encerramento das comportas da barragem para muito breve. De repente, tornou-se urgente para mim ir ver, ir presenciar, ser testemunha e a distância de 450 kms que antes me tinha servido de justificação pareceu-me subitamente mais curta. Juntou-se a esta sensação de urgência a conjugação de condições climatéricas únicas, um fim-de-semana de sol mas com alguma nebulosidade, sem temperaturas muito altas, que se seguia a um período prolongado de chuva. O rio estaria a correr com força pela última vez. O ar transparente e límpido. A vegetação em pleno vigor primaveril. Tive que ir.

Fui no limite do tempo. Consultei vários sítios na internet com informação, em especial o blog "A Linha é Tua" onde encontrei tudo o que precisei. Se quiserem ir, recomendo que consultem. Decidi-me pelo percurso Fiolhal-Brunheda, para deixar o paredão pelas costas e subir o rio, afastando-me do seu destino, como que a tentar devolver ao vale a sua dignidade. Junto com o meu companheiro e um pequeno grupo de amigos fizémo-nos à estrada. Dois de nós deixámos o carro na Brunheda e juntamo-nos aos restantes no Fiolhal recorrendo a um táxi de Pombal. E começámos a muito esperada caminhada. Faço um relato do que encontrámos.

Sobreiros cortados na desmatação em decurso até à cota de enchimento.
Aos 20 primeiros quilómetros da linha foram já retirados os carris e as travessas de madeira, obrigando a caminhar sobre cascalho pouco compactado, aumentando bastante a dureza física do percurso. A desmatação necessária ao enchimento da albufeira vai avançada, cortando bosques de sobreiros e azinheiras, olivais, galerias ripícolas e alterando a beleza da paisagem. Já não pude observar o vale no seu esplendor mas por um lado talvez isso venha a tornar menos dolorosa a concretização da destruição que se segue.

Encontrámos também já dois túneis do percurso - Fragas Más II e Falcoeira atulhados e intransponíveis, tornando o percurso entre Fiolhal e Brunheda impossível de realizar sem ultrapassar estes dois obstáculos de forma alternativa, o que, por razões de segurança, só deverá ser tentado por pessoas que estejam em boa forma física, tenham experiência de montanhismo e reservem muito tempo para realizar o percurso. E mesmo assim, todo o cuidado é pouco. O nome do túnel das Fragas Más deverá ser esclarecedor.

As alterações na linha decorrem agora a todo o vapor, as máquinas estavam estacionadas ao longo do percurso. Será cada vez mais imprevisível tentar efectuar os primeiros 10 quilómetros do vale a partir de Fiolhal. Em alternativa pode partir-se da Brunheda em direcção à foz do Tua, ir até ao Túnel da Falcoeira e regressar. Mesmo assim, são 20 kms de percurso circular, uma caminhada difícil por si só no actual estado da linha, com o cascalho apenas parcialmente compactado e sem as travessas de madeira para servir de apoio. É contar com pelo menos 5 horas se estiverem em boa forma, mais se quiserem parar e desfrutar da paisagem. E muita água (recomendo mínimo de 1,5 Lt).

Tudo isto dito estou muito feliz de ter ido e ter feito o percurso. Apesar das desmatações que avançam, apesar de todos os trabalhos de maquinaria pesada que são já evidentes, apesar da dureza de ter ultrapassado os túneis atulhados pelas encostas e do desgaste dos quilómetros sobre cascalho, apesar da tristeza de saber que tudo aquilo em breve estará debaixo de água e perdido, apesar disto, sinto o meu espírito elevado por ter feito a caminhada Fiolhal - Brunheda pela primeira e última vez na vida. Fui celebrar um vale prestes a ficar debaixo de água e testemunhar o desaparecimento de um trajecto único. Acho que a Linha do Tua, que o vale do Tua, merecem ter testemunhas. Sinto alguma paz por ter lá estado, ter sido parte, mesmo que apenas por uma longa tarde comungada entre amigos, num cenário marcante e belo.

Fui, ainda, surpreendido pela vegetação, mais rica e vigorosa do que antecipava. Entre sobreiros caídos e outros ainda em pé, presenciei pela primeira vez uma comunidade botânica que não conhecia. Não foram nem uma, nem duas mas logo três as espécies de árvores silvestres que raramente tinha observado anteriormente e nunca em conjunto, como se o fim anunciado me quisesse atormentar um pouco mais. Comecei por ver cornalheiras Pistacia terebinthus, de vários portes e tamanhos, com a nova folhagem, brilhante e sedosa, daquele verde que só se vê durante os curtos dias que demoram as folhas a sair das gemas de Inverno, crescerem e começarem a acumular os compostos que as escurecem e que as irão proteger dos insectos e da secura do Verão. O brilho e exuberância da folhagem nova da Primavera são tão únicos quanto efémeros. E ali estavam em abundância porque em contraste com a mais comum aroeira Pistacia lentiscus que pertence ao mesmo género e é de folha perene, a cornalheira é uma pequena árvore de folha caduca. Nunca tinha visto tantas.
A rica vegetação natural num trecho que ficará debaixo de água e que será desmatado.

Passei depois a ficar fascinado com árvores de folhagem algo pendente, claramente coníferas, que ia vendo nas encontas íngrimes da outra margem. Quem teria plantado coníferas em locais tão inóspitos? Faziam lembrar larícios ou ciprestes. Não me ocorriam espécies autóctones com aquela fisiognomia. O que seriam? Finalmente, ocorreu-me, poderiam ser oxicedros?! Não os conhecia, mas poderiam ser! Deparei-me rapidamente com exemplares na minha margem que ainda tinham resistido à desmatação e eram mesmo oxicedros Juniperus oxycedrus, o zimbro mais arbóreo que existe em Portugal. Que incrível.

Oxicedros nas encostas do rio Tua, com um porte característico de conífera e folhagem algo pendente.
E para completar o que rapidamente se revelava um paraíso botânico, por entre as cornalheiras deparei-me com zêlhas Acer monspessulanum, uma pequena árvore, um bordo, bastante rara cá para Sul, com alguns perdidos na Serra de Montejunto e na Serra da Arrábida. E ali estavam, um sem número de exemplares ao longo do rio, ao meu alcance. A zêlha tem um um significado especial para mim e para este blog, tendo as suas folhas servido de base ao logotipo da Loja de História Natural.
Uma zêlha, com as suas folhas características.
Ainda sorrio com o travo agridoce da experiência: zêlhas, cornalheiras e oxicedros, uma estreia pessoal, o esplendor da diversidade botânica das terras quentes transmontanas, quase demasiado bom para ser verdade. E era demasiado bom. Em breve as características únicas do vale desaparecerão e com elas esta comunidade botânica. Trágico.
Um oxicedro, ou zimbro-galego, de porte significativo, cortado já a uma grande distância do rio. Chegará a albufeira aqui?

Não quero com isto retirar mérito aos frondosos e imponentes sobreiros que se adivinhava terem ladeado a linha em vários trajectos. Na sua maioria tinham sido já cortados até à cota de enchimento da albufeira, os seus troncos acumulados em pilhas, a aguardar recolha pela maquinaria que pelo menos neste dia, um Domingo, descansava. Teria sido um inferno fazer o percurso sobre o som das máquinas. Sem elas, o silêncio da água que corria com força, dos nossos passos no cascalho, do vento na vegetação, da passarada, permitia ao nosso cérebro fingir que ali tudo seria como sempre foi durante muitos anos e por muitos mais que viriam.
Já sem carris e sem travessas de madeira, a beleza da linha continua única.
Para o final, a dureza do percurso foi pouco-a-pouco tomando conta das nossas percepções, limpando o cérebro de pensamentos errantes, focando-nos no passo seguinte, nos passos que faltam, na água que acaba, no dia que aqueceu um pouco mais naquele vale afundando do que aquilo que esperávamos. Primeiro foi o impacto de ter que voltar para trás logo ao quilómetro 5,6 da linha quando, após termos atravessado sem incidentes os primeiros dois túneis, protegidos por portões com redes, mas não trancados, nos deparámos com surpresa com o primeiro dos dois túneis entulhados que viríamos a encontrar. Atravessávamos um trecho do vale de enorme intimidade, de curva e contracurva, vistas curtas, o rio feroz lá em baixo, isolados do mundo e rodeados de uma beleza natural estonteante. Ter de voltar para trás pareceu-me cruel.

O local impedia alguma pequena manobra de desvio. Acabámos por decidir subir a encosta uma centena de metros antes do túnel, por um percurso ondulante que se adivinhava por entre rochedos. Foi uma subida exigente, apesar dos belos oxicedros e sobreiros que nos recebiam. Ainda sem certezas, só após uma boa subida optámos por tentar descer de novo à frente do túnel atulhado. O desvio custou-nos uma hora para fazer 50 metros da linha. E muita energia e água. Mas re-animados por termos ultrapassado este obstáculo seguimos viagem, esperançados que o próximo e último túnel não estivesse ainda atulhado.

Ribeira de montanha, a convidar a banhos, mas o tempo era curto. Ficará debaixo de água.
Continuámos a caminhada, a gozar da companhia, da paisagem e do belo dia. A curva para o túnel da Falcoeira, ao quilómetro 9,2, como que a brincar connosco, apenas permitiu ver a sua entrada já atulhada a poucos metros da mesma. Voltar para trás seria agora não cruel mas impensável. O terreno parecia menos agreste e contornámos o túnel pelo lado do rio. No caminho, as ruínas de uma casa em pedra, perdida, como eu me sentia algo perdido no espaço e tempo. O que ali teria havido, quem ali teria vivido, em local tão escondido e de difícil alcance?
Ruínas de antiga habitação. Quem aqui terá vivido?

Foram mais 20 minutos a contornar um segundo - mas último - túnel atulhado. A caminhada que pensámos conseguir fazer em 5 horas alongava-se no tempo. O cansaço começava a fazer-se sentir. Ainda tínhamos 12 quilómetros de cascalho pela frente.



Marcámos um ritmo acelerado e seguimos. Pouco a pouco o caminho transformáva-se numa provação física, a mente abandonava a beleza do percurso e concentrava-se no passo seguinte. O vale do rio Tua, a correr selvagem e forte lá em baixo, exigia um sacrifício por se ter mostrado. As suas águas, ainda selvagens, a banda sonora que nos acompanhava.


Chegámos, após mais duas horas a caminhar, à estação da Brunheda, transformada em estaleiro. Aguardáva-nos um buxo Buxus sempervirens arbóreo, como poucas vezes se vê. Existe buxo silvestre no vale do Tua mas não tive a sorte de encontrar esta espécie durante a caminhada. Fizemo-nos à estrada para a derradeira subida - íngreme! longa! - até Brunheda onde tinha ficado o carro. No total demorámos cerca de 7 horas a fazer todo o percurso. Estávamos exaustos. 

E foi assim a minha experiência do vale e da Linha do Tua. Sinto-me satisfeito e feliz por ter ido ver. Para guardar memória do que ainda é.

O fim do dia, da caminhada e das nossas energias, no cimo do vale, na Brunheda.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Sábado, 21 de Maio de 2016: As Árvores de Lisboa


Irei guiar a visita de encerramento deste encontro promovido pela Plataforma em Defesa das Árvores. Estão todos convidados.



 
Se ainda existisse, a loja completaria 6 anos neste final de semana, tendo sido inaugurada a um Sábado, 22 de Maio de 2010. Parece que foi há mais tempo.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Dia de Enxameação




Uma das minhas colmeias enxameou esta manhã, uns dias antes do que eu esperava. Foi tudo muito rápido e quando finalmente me equipei e aproximei do apiário o enxame já estava pousado num carvalho-cerquinho. Apanhei-o e coloquei-o no núcleo que já tinha preparado para o efeito e que se vê entre as duas colmeias maiores. Cheira-me que não será o único enxame, a colmeia de origem está carregada de células de mestra já seladas ou prestes a. Fiz um pequeno vídeo do enxame pousado no carvalho que coloco abaixo. O zumbido das abelhas que se ouve é uma das razões porque gosto muito de ter abelhas.
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sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Feliz Natal, Álvaro! Queres ser biólogo por um dia?

Feliz Natal, Álvaro!


Ilustração-póster 'Charcos com Vida' da autoria de Marcos Oliveira. Via Charcos com Vida.

Biólogo por um dia, com ... faz parte do Catálogo de Natal 2015 da LPN - Liga para a Protecção da Natureza e foi a prenda que escolhemos para o Álvaro, neste caso no Projecto Life Charcos. E para preparar a visita recomendo a descoberta do Projecto Charcos com Vida!

Existe a possibilidade de escolher entre vários projectos a ser desenvolvidos pela LPN: charcos temporários; conservação do saramugo; conservação de aves estepárias; conservação da águia-imperial-ibérica. Confirmei com a equipa da LPN e as crianças também podem usufruir desta oportunidade. Para mais informações, contactem geral (a) lpn.pt ou os contactos 21 778 00 97 ou 964 656 033.

Acho uma prenda excelente para todas as idades e não resistimos em oferecer ao Álvaro a a possibilidade de explorar a sua paixão pela natureza participando neste projecto. Feliz Natal!

domingo, 1 de novembro de 2015

O Bicho, 5 anos depois

Há 5 anos, um cão abandonado decidiu adoptar-nos. A nossa resistência inicial foi rapidamente vencida por este Bicho maluco que nos deu a voltinha com a pinta toda. Ei-lo aqui, hoje, no seu local preferido, visitado pelo seu novo amigo, o Boleto.

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